quarta-feira, 19 de abril de 2017

Autoconhecimento – O primeiro passo.


Nesta publicação farei um pequeno comparativo de uma das coisas que envolvem o combate, dentro da perspectiva da Arte Ving Tsun no dia a dia.

Metre Julio Camacho e o instrutor Claudio Teixeira em um café da manhã conversando sobre Siu Nim Tao, primeiro dispositivo dentro do sistema Ving Tsun.


Todos os dias entramos em contato com diversas pessoas, nos mais variados lugares, com as mais diversas disposições de ânimo, nos mais variados momentos e com propósitos distintos. Parece pouco, mas saber lidar com tudo isso não é tão fácil, pois nós mesmos variamos de estado em estado dentro de todas estas afirmativas, ou seja, hora estamos bem, hora não tão bem, hora mais animados e em outras nem tanto. Os lugares onde andamos estão em constante mudança e, querendo ou não, isso nos afeta. Então, dentro do contexto Marcial, qual seria um dos meios para que consigamos vivenciar tanta coisa e sair de tudo isso o mais ileso possível?




Metre Julio Camacho e Fabio Gomes no Ving Tsun Museum (Dayton, Ohio) em 1999.


No livro a Arte da Guerra, Sun Tzu diz o seguinte: “Aquele que conhece a si mesmo, o ambiente e o seu adversário certamente ganhará a batalha.”
Baseados no texto acima podemos entender que o primeiro passo é nos conhecermos, o que envolve entrar em contato com tudo aquilo que somos: Nosso corpo com suas limitações, nossas mais variadas emoções e o que as alimenta, nosso intelecto, etc.




Eu, Meu Si fu Julio Camacho e meu irmão Kung fu e amigo Claudio Teixeira no Aeroporto Tom Jobim antes do embarque para uma série de seminários ministrados na Argentina.

O primeiro passo quando iniciamos na arte Ving Tsun é acessar o dispositivo do Siu Nim Do, que é uma seqüência de movimentos dividida por partes que formam um todo onde começamos a lidar com o nosso corpo dentro de um mundo inteiramente marcial, o que nos proporciona uma consciência corporal que não tínhamos...Começamos, então, automaticamente a nos observar e perguntas internas como: Como está o meu braço neste movimento? Como está a minha base? Como está meu quadril? Minha s pernas estão bem?...E tantas outras começam aparecer. São perguntas que nos remetem a nós mesmos, ao nosso mundo externo de movimentos, o qual é gerado por disposições internas de realizá-los. Desta forma está dado o primeiro passo para tentarmos conhecer a nós mesmos, embora precisamos ter bem clara a consciência de que este processo é eterno, pois como eu disse logo na minha primeira postagem, citando uma frase do meu Si fu, a perfeição é algo inalcançável, porém uma vez iniciado o treino, a gente sempre vai querer chegar lá.


Até breve.

domingo, 16 de abril de 2017

    Sintonizando com o ambiente


Foto de Mestre Julio Camacho


“Quando entramos em um ambiente, seja ele qual for, exercemos influência sobre ele, de uma forma ou de outra (...) quando entra uma pessoa no local onde estão tantas outras reunidas, o lugar se modifica, da mesma forma, quando sai uma pessoa a sua falta modifica o local da mesma forma.”
Mestre Julio Camacho

Se pararmos para observar, ao entrarmos em um local , seja qual for, ele muda com a nossa presença, assim como muda conforme as pessoas vão chegando ou saindo. Nosso mundo dinâmico está em constante mutação e precisamos nos movimentar para no ajustarmos às transformações que acontecem mesmo nos momentos mais comuns e banais, mesmo nos locais mais simples. E sempre temos alguma coisa para aprender.

Recentemente, por causa de uma fratura no punho, sem poder dirigir, precisei ir de trem para meu curso. Na volta, estava com uma enorme vontade de beber refrigerante e torci para encontrar alguém vendendo dentro da condução. Quando entrei vi que os vagões estavam bem vazios. Eram por volta das 22:00 hs e pensei não ter mais ninguém vendendo nada. De repente entra um homem, com, mais ou menos, 40 anos gritando “Olha a Coca, olha o guaraná, olha a água!!!”. Perguntei se tinha refrigerante gelado e ele medisse que tinha apenas do grande e que custava cinco reais. Beleza – disse eu – quero um. Ele me deu, eu paguei e ele ficou arrumando a mercadoria no grande isopor que carregava. Enquanto eu observava as poucas pessoas presentes naquele vagão (uma mulher ouvindo algo no celular, um homem lendo um livro, um rapaz lendo algo no celular e outro homem quase dormindo) o vendedor me diz, “senhor, ainda tenho um pequeno que custa três reais, quer trocar?... Me desculpa, mas eu nem sabia que ainda tinha. Eu não queria te enganar.” Fiquei por um tempo pensando naquele camarada trabalhando com aquele isopor pesado durante todo o dia, até aquela hora, e no quanto aqueles dois reais de diferença poderia fazer falta para ele, então respondi que não tinha problema, eu estava satisfeito com a minha compra.
Ele poderia te visto e ficado quieto, mas foi decisivo em correr o risco de perder a maior venda por uma menor, mas garantir a sua consciência e ir em frente.

Apenas lhe desejei sorte e segui meu caminho.


Nesta foto, eu e Airton, estamos dentro do Mo Lam treinando a prática de um exercício tradicional na prática da milenar Arte Ving Tsun (Wing Chum), junto com outros praticantes, monitorados pelo mestre Leonardo Reis.

Quando estamos rígidos não conseguimos nos sintonizar com os ambientes e ouvir o que nos é apresentado. Apenas corremos o risco de ver apenas o que queremos ver e ouvir o que nos diz respeito.  Mas o cotidiano fica mais rico quando conseguimos relaxar e sintonizar com o mundo a nossa volta. As coisas “banais”, realmente se tornam excelentes.

Quando conseguimos ouvir nosso oponente, seja ele qual for o combate fica mais favorável, a luta fica melhor de ser vivenciada... e o leitor analise como melhor lhe convier.



Foto de uma composição bem simples do chá tradicional chinês. É comum dentro do Mo Lam ou fora dele o Mestre e o discípulos tomarem chá juntos, onde é consolidada e aperfeiçoada a relação Si To (Mestre/Discípulo).


Precisamos perder o medo de enfrentar os problemas de frente e perder o medo da dor. Dentro do Lam (Local de treino) a prática constante e monitorada de combate nos dá subsídios marciais para tal, mas sobre este assunto falarei em outra postagem. O objetivo é que consigamos andar em frente e, como disse meu Si fu, Mestre Julio Camacho, “o artista marcial é aquela pessoa que procura a perfeição mesmo sabendo que não vai encontrá-la”


Abraços...

sábado, 15 de abril de 2017

     Agora dou inicio, definitivamente, ao meu Blog “Ving Tsun e o Cotidiano”, no qual abordarei relatos do dia-a-dia embasado nas minhas experiências Marciais dentro do processo que chamamos de “Vida Kung Fu”. Associarei temas, acontecimentos e circunstâncias vividas no dia a dia dentro de uma perspectiva Marcial de estudos de combate e o processo ao qual me refiro.





Foto de 1996: Eu e meu mestre Julio Camacho, na época quando estava iniciando a minha prática do sistema Ving Tsun.



     Perceberemos que coisas aparentemente banais ou comuns, muitas das vezes podem ser extraordinárias dependendo de como as vemos.




 Foto de 2017: Eu e meu Mestre Julio Camacho no momento da minha cerimônia de discipulado.



      
                          Bem vindos.




 Não se gasta nada sonhando
                



Coutinho, Cledimilson (Moy Go Tin).
Consultor de vendas, Discipulo do mestre Julio Camacho, praticante de 12° geração de Ving Tsun Kung Fu.