domingo, 16 de abril de 2017

    Sintonizando com o ambiente


Foto de Mestre Julio Camacho


“Quando entramos em um ambiente, seja ele qual for, exercemos influência sobre ele, de uma forma ou de outra (...) quando entra uma pessoa no local onde estão tantas outras reunidas, o lugar se modifica, da mesma forma, quando sai uma pessoa a sua falta modifica o local da mesma forma.”
Mestre Julio Camacho

Se pararmos para observar, ao entrarmos em um local , seja qual for, ele muda com a nossa presença, assim como muda conforme as pessoas vão chegando ou saindo. Nosso mundo dinâmico está em constante mutação e precisamos nos movimentar para no ajustarmos às transformações que acontecem mesmo nos momentos mais comuns e banais, mesmo nos locais mais simples. E sempre temos alguma coisa para aprender.

Recentemente, por causa de uma fratura no punho, sem poder dirigir, precisei ir de trem para meu curso. Na volta, estava com uma enorme vontade de beber refrigerante e torci para encontrar alguém vendendo dentro da condução. Quando entrei vi que os vagões estavam bem vazios. Eram por volta das 22:00 hs e pensei não ter mais ninguém vendendo nada. De repente entra um homem, com, mais ou menos, 40 anos gritando “Olha a Coca, olha o guaraná, olha a água!!!”. Perguntei se tinha refrigerante gelado e ele medisse que tinha apenas do grande e que custava cinco reais. Beleza – disse eu – quero um. Ele me deu, eu paguei e ele ficou arrumando a mercadoria no grande isopor que carregava. Enquanto eu observava as poucas pessoas presentes naquele vagão (uma mulher ouvindo algo no celular, um homem lendo um livro, um rapaz lendo algo no celular e outro homem quase dormindo) o vendedor me diz, “senhor, ainda tenho um pequeno que custa três reais, quer trocar?... Me desculpa, mas eu nem sabia que ainda tinha. Eu não queria te enganar.” Fiquei por um tempo pensando naquele camarada trabalhando com aquele isopor pesado durante todo o dia, até aquela hora, e no quanto aqueles dois reais de diferença poderia fazer falta para ele, então respondi que não tinha problema, eu estava satisfeito com a minha compra.
Ele poderia te visto e ficado quieto, mas foi decisivo em correr o risco de perder a maior venda por uma menor, mas garantir a sua consciência e ir em frente.

Apenas lhe desejei sorte e segui meu caminho.


Nesta foto, eu e Airton, estamos dentro do Mo Lam treinando a prática de um exercício tradicional na prática da milenar Arte Ving Tsun (Wing Chum), junto com outros praticantes, monitorados pelo mestre Leonardo Reis.

Quando estamos rígidos não conseguimos nos sintonizar com os ambientes e ouvir o que nos é apresentado. Apenas corremos o risco de ver apenas o que queremos ver e ouvir o que nos diz respeito.  Mas o cotidiano fica mais rico quando conseguimos relaxar e sintonizar com o mundo a nossa volta. As coisas “banais”, realmente se tornam excelentes.

Quando conseguimos ouvir nosso oponente, seja ele qual for o combate fica mais favorável, a luta fica melhor de ser vivenciada... e o leitor analise como melhor lhe convier.



Foto de uma composição bem simples do chá tradicional chinês. É comum dentro do Mo Lam ou fora dele o Mestre e o discípulos tomarem chá juntos, onde é consolidada e aperfeiçoada a relação Si To (Mestre/Discípulo).


Precisamos perder o medo de enfrentar os problemas de frente e perder o medo da dor. Dentro do Lam (Local de treino) a prática constante e monitorada de combate nos dá subsídios marciais para tal, mas sobre este assunto falarei em outra postagem. O objetivo é que consigamos andar em frente e, como disse meu Si fu, Mestre Julio Camacho, “o artista marcial é aquela pessoa que procura a perfeição mesmo sabendo que não vai encontrá-la”


Abraços...

Nenhum comentário:

Postar um comentário